domingo, 3 de julho de 2011

quem é você?


A tarde se vai. E como vão os sonhos de uma criança. Ela olha pela janela vê o sol ao longe se pondo. Se encolhe na parede. Tem medo. Sabe que agora seu dia acabou. Sabe que agora seus pais estarão em casa. Ela ouve o carro parando em frente a sua casa. Sabe quem é. O pai. Sua mão já começa resmungar, na cozinha. Ela suspira. Por que os dias tinham que acabar, afinal? Os dias eram tão mais felizes. Ela sabe que agora sua paz, vai embora. Olhava novamente a janela. Deixa o pensamento a levar para onde seus sonhos não tem limites. Onde se ela quiser pode ter asas. Ou apenas ser ela mesma. Um lugar que ela não tem proibições, mas tem amor.

“Você nunca educa ela”, a mãe grita. Ela estremece seu coração com seu pensamento. Chora. Precisa chorar. Está sozinha em meio a uma confusão. Ela não pediu para estar ali. Ela queria fugir de toda aquela realidade. Onde estavam seus pais nessas horas que ela mais precisava? Como sempre brigando. E ela se encolhia mais no canto de seu quarto. Seu mundo. Ela não gostava de ficar sozinha. Mas ela se sentia sozinha. Vazia. Não tinha ninguém ali para ajudá-la. Ninguém se importava com as suas lágrimas. Ninguém nunca as via. Mas ela estava ali, chorando. Enquanto a noite avançava. Ela quase nunca ouvia um eu te amo, sentia se culpada pelo o que estava acontecendo. Por que tinha que ter nascido?

No outro cômodo, seus pais, gritam e gritam. Ela sabe que são palavras duras. Sua mãe estava ferida. Seu pai também estava. Mas no momento, nenhuma ferida doía mais do que aquelas que estavam em seu peito. Eram feridas abertas. Feridas de culpa. De pena. Eram feridas feitas por palavras. Palavras que no momento precisava ouvir, mas que nunca ouviu. Quantas vezes ela simplesmente precisou, somente de um abraço, e não teve quem lhe desse um. Isso doía. Por que ela precisava de alguém ali, e não tinha ninguém. Por que ninguém via as suas feridas somente uma vez. Ela não queria ser o centro das atenções. Queria somente pela uma vez, não pensar nos outros, mas pensar em si própria. Cuidar uma única vez de suas feridas. Seria pedir muito? Seria reclamar demais? Ela só queria olhar a noite, e não ter medo do dia seguinte, pois sabia que seria talvez diferente.

Mas como sempre ninguém se preocupava com as suas feridas. Ela via as sombras por debaixo da porta. E a dircussão não era mais por ela. Agora era por causa do deveria ser feito, mas não foi. Ela olha, para aquelas sombras. São apenas sombras. Ela não conhece aquelas pessoas. Não são os seus pais, apesar de ser. Doía pensar que eles não se preocupavam com ela. A mãe trabalhava, mas sempre que chegava era brigando com ela, sem se preocupar como havia sido seu dia. Quantas vezes precisou chorar, com sua mãe, por causa de um amor não correspondido, mas tudo que ouvia, era: “não tenho tempo, para coisas de criança”. Ela era uma criança.

Ela era sim uma criança. Por isso se sentia tão só. Crianças, precisam de carinho. Atenção. E tudo o que ela menos tinha, era isso. Ela não duvidava do amor de seus pais. Apenas não aguentava a forma que eles demostravam. Era uma pessoa carente. Se apegava nos meros sinais de carinho. Por isso sofria mais do que as outras crianças.

Ela tentava preencher seu vazio, com palavras, ditas por outras pessoas. Mas não era suficientes. Era sempre pouco, por que não era as pessoas certas. Ela sofria. E em seus sofrimentos, se abriam, mais feridas. E eram mais feridas que precisavam ser curadas. E eram mais cicatrizes mal fechadas, que a qualquer momento. Com qualquer palavras, poderia tornar a se abrir. Ela tinha medo. Se fechava. Era fechada. Não podia contar para ninguém sobres essas feridas. Pois ninguém a compreendia. E doía. Seu peito, estava cheio de dores. E cada dia que passava, doía mais.

“Você nunca faz nada certo”, tinha medo. Seu pai sempre lhe dizia essa frase. Mesmo quando dava seu máximo, nunca era suficiente para ele. Sempre era pouco. Pouco demais para ser valorizado. Se sentia inutil. Não ajudava. Sabia que somente atrapalhava. Queria morrer. Assim deixaria de ser esse estorvo. Ao menos, deixaria de doer, suas feridas. Ela sabia o peso das palavras. Era cuidosa com todas elas. Mas haviam momentos, que não se controlava. Explodia. Nesses momentos, doiam tanto suas feridas, que tinha que gritar para ser notada. Mas como sempre, era vista com um mero capricho. Um ato de rebeldia. Por que é tão dificil entender, que ela so quer carinho. Que ela so precisa de amor. Mas ela não recebia isso. E doía mais suas feridas.

No silêncio da noite, olhava para o céu. Seus pais haviam ido dormir. Estava só, completamente só. Amarga dor, era impossivel de se engolir. Travava em sua garganta. Sua solidão não era percebida pelas pessoas que a cercava. Era seu segredo. Cercada de tantos, mas sozinha. Eram tantas pessoas, que estavam em sua volta, mas nenhuma nem se quer olhava para ela. Ninguém nunca a viu. Ninguém. Por que as pessoas não a via. Mas viam as suas máscaras.

Era seu escudo. Precisava dele para se proteger. Tinha medo de sofrer mais. Só que mesmo com esse escudo. As vezes se machucava. Por que tinha que viver? Dar cada passo era tão doloroso. Tão forte e doído. Construir uma muralha as vezes é complicado. Ela sabia disse. Lhe custava mais do que queria. Mas era tão preciso. Não tinha pessoas para protege-la. Não tinha ninguém, que pudesse lhe defender. Como arma, tinha algumas coisas. As lágrimas silenciosas, e as palavras asperas, ditas nos momentos de explosão. Não é certo. Mas as vezes é tão assustador, ter que enfrentar tudo tão sozinha. Tudo tão mal compreendida.

O sol nascia no horizonte. Mas ela sabia, que quando se posse, tudo seria a mesma coisa. As suas feridas ainda estaria ali. Os vazios das palavras que nunca foram ditas. E os sonhos trancados no fundo do seu coração, esperando que algum dia alguém olhe para ela e cuide dela, e que a veja como ela é. Uma criança, cheia de feridas. Feridas demais, que precisam ser curadas. Realmente curadas.

Quem Sou Eu? Que o Senhor de toda a terra, se importaria em saber meu nome. Se importaria em sentir minha dor. Quem sou eu? Que a Estrela da manhã, escolheria iluminar o caminho, do meu aventureiro coração. Não por causa de quem sou, mas pelo que fizeste. Não por causa do que fiz. Mas por causa de quem És. Eu sou uma flor que vai murchando. E que logo então se esvai. Uma onda no oceano, um vapor ao vento. E ainda escutas quando clamo. Senhor, me levantas quando caio. E me dizes quem eu sou. Eu sou teu. Eu sou teu. Quem sou eu? Para que os olhos que vêem nossos erros. Me olhassem com amor. E me fizessem prosseguir. Quem sou eu? Para que a voz que acalmou o mar, ainda busca acalmar, a tempestade que há em mim.

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